Quase toda família chega aqui com a mesma pergunta e com muita pressa: o que eu faço agora? Esta página responde na ordem em que as coisas acontecem de verdade — sem burocracia inventada e sem prometer o que ninguém pode prometer.
1. A primeira conversa é com você, não com ele
O primeiro contato quase nunca é feito pela pessoa que usa. É a mãe, a esposa, o irmão. E está certo assim: a família é quem consegue descrever o histórico com clareza e quem vai sustentar o processo depois.
Nessa conversa, a nossa equipe vai querer entender:
- qual substância, há quanto tempo e com que frequência;
- se já houve tratamento antes, e como terminou;
- se existe diagnóstico psiquiátrico, medicação em uso ou doença clínica;
- como está a situação hoje — se há risco imediato, agressividade ou abstinência em curso;
- o que ele sabe e o que ele aceita sobre a possibilidade de tratamento.
Não existe formulário para isso. É uma conversa, por telefone ou WhatsApp, e ela não compromete você a nada.
2. A avaliação define o plano, não a vaga
Muita gente imagina que “internar” é uma decisão de disponibilidade: tem vaga, entra. Não é. A avaliação existe para responder outra coisa — se este é o lugar certo para este caso.
Há situações em que a comunidade terapêutica não é o encaminhamento adequado, e dizer isso faz parte do nosso trabalho. Quadro psiquiátrico agudo, abstinência com risco clínico, necessidade de desintoxicação com supervisão médica contínua: nada disso se resolve em regime de convivência. Nesses casos o caminho é uma unidade de saúde, e nós orientamos a família sobre isso em vez de acolher quem precisa de outra coisa.
3. O que a família precisa providenciar
Confirmado o acolhimento, a lista é curta:
- Documentos: RG, CPF e cartão do SUS, quando houver;
- Relatórios e receitas: qualquer laudo, exame ou prescrição em uso — isso importa mais que o resto;
- Medicação em uso, na embalagem original, com a receita;
- Roupas e higiene pessoal: a equipe passa a lista exata na conversa, porque varia com a época do ano;
- O termo de consentimento, assinado por ele na chegada — e é aqui que está o ponto mais importante desta página.
4. A entrada é voluntária. Sempre.
Comunidade terapêutica não é hospital nem clínica psiquiátrica. Somos regidos pela RDC nº 29/2011 da Anvisa, que estabelece de forma expressa que a permanência do acolhido é voluntária e que ele pode interromper o tratamento quando quiser. Ele assina a entrada, e essa assinatura não é formalidade: é a base legal de tudo o que vem depois.
Isso costuma frustrar a família no primeiro momento — e a gente entende. Mas trabalhe com este dado: tratamento que começa contra a vontade raramente se sustenta. Quem é trazido amarrado costuma ir embora na primeira oportunidade. A conversa que convence, mesmo que demore duas semanas a mais, produz um resultado diferente.
Se ele hoje se recusa de forma absoluta e existe risco, leia a página sobre internação involuntária — ela explica o que a lei permite, quem pode pedir e onde isso é feito.
5. A chegada
Buscamos combinar o dia e o horário com antecedência, para que a chegada não seja um susto. Ele é recebido pela equipe, passa por uma conversa inicial, conhece a casa e a rotina, e é apresentado aos outros acolhidos. Os primeiros dias são de adaptação, e é normal que sejam difíceis.
A comunidade fica na Fazenda Santa Tereza, a 40 km de Goiânia, em Hidrolândia-GO. O ambiente rural não é detalhe estético: o afastamento do contexto de uso é parte do tratamento.
6. E depois? O que a família deve esperar
- Contato: a comunicação com a família é regular, e a equipe orienta como e quando;
- Visitas: em geral liberadas a partir da segunda semana, conforme a evolução, em dias e horários definidos;
- Celular: uso restrito e controlado, principalmente nas primeiras semanas — não é punição, é proteção do processo;
- Tempo: a média é de 3 a 12 meses, definida caso a caso na avaliação, e revista ao longo do caminho;
- A família também é acompanhada: há orientação e grupos de apoio, porque recuperação que ignora a casa para onde ele vai voltar tende a não durar.
O passo de hoje
Se você chegou até aqui, o passo de hoje não é decidir sobre internação. É conversar. Chame a nossa equipe no WhatsApp e descreva a situação — atendemos 24 horas, todos os dias, e essa primeira conversa não obriga você a nada.
